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Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

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Verde Vermelho

23
Out17

As vozes dissonantes.

Joana

Tudo o que aconteceu a semana passada foi demasiado forte e grave e quero acreditar que só mesmo quem não está mentalmente são ou quem perpretou estes crimes possa não se deixar mover por tudo o que foi dito, mostrado e conhecido sobre os malditos incêndios. Quero assumir que, como seres humanos, nos sentimos identificados e fortemente unidos na procura de uma solução comum ou, pelo menos, na promoção de ajuda solidária para auxiliar, no imediato, a apaziguar as dores e as perdas de todas as vítimas. No entanto, e contra tudo em que acredito, tenho-me apercebido que há inúmeras vozes dissonantes neste meio de pessoas que preferem criticar ininterruptamente tudo e todos que lhes aparecem à frente - de políticos a voluntários e até- como é possível! - de vítimas. Isto revolta-me muito e deixa-me muito desacreditada da humanidade, de facto.

 

Detesto pessoas amargas. Pessoas que só sabem apontar o dedo, que acham que uma coisa boa não chega e que é sempre preciso mais. Pessoas que desconfiam de tudo e todos, que não agem ao invés de criticar e que estão formatadas para o "agora é assim, mas vamos lá ver como será quando...". Pessoas que nunca estão bem com o que os outros fazem e que são treinadores de bancada a cantar de galo, sem fazerem nada de jeito que prove poderem estar certas em alguma coisa que dizem. Detesto a descrença na humanidade e o azedume de quem não se presta a fazer o mínimo sacrifício por quem mais precisa. Detesto e não tenho paciência para gente assim.

 

Talvez não fosse má ideia que estas pessoas que não ajudam de forma alguma se aprendessem a calar, quando devem. Isso seria, talvez, a sua grande e melhor forma de ajudar.

 

 

 

 

20
Out17

Somos capazes de sentir a nossa própria maturidade?

Joana

Sim, somos. Ao contrário do que eu imaginaria, somos mesmo. E refiro-me à psicológica, naturalmente, que a outra a Natureza faz para que, queiramos ou não, nos demos conta que existe e está lá (Vivam as rugas! E os cabelos brancos! E os problemas de costas! E...).

 

Mas centremo-nos na maturidade psicológica.

Falo disto, porque cada vez mais me apercebo do que não gosto e do que me deixa desconfortável e consigo perceber que isso se relaciona com o facto de eu estar, de facto, numa fase diferente da das pessoas que me fazem sentir assim. Não é mania, não é achar-me superior a nada ou a ninguém - é, simplesmente uma constatação. De início, quando esse desconforto me surgia, dava por mim a pensar que eu deveria estar mesmo numa fase mais desinteressada e que o problema até poderia estar em mim. Mas aos poucos vou-me apercebendo que não. Dou por mim agora e várias vezes a ver comportamentos de outros que me perturbam por serem desadequados à idade ou à condição e que, se fosse há uns anos, me mereceriam alguma indignação, revolta ou até reação; no entanto, e neste momento, apenas me merecem uma apatia e um silêncio. Acontece em vários contextos da minha vida e não consigo reagir de outra forma [continuo a achar que o ignorar e levar a mente para outros lados é a melhor estratégia contra o que me irrita.] Fico contente por ter esta capacidade, mesmo que isso me leve a ser entendida pelos outros como uma pessoa seca, choca ou apática. Mas - lá está! - essa é outra das mais-valias de crescer: o facto de eu me estar a marimbar para o que as pessoas que eu considero não agirem de forma correta e coerente acham ou deixam achar de mim e da minha seriedade.

 

 

Importa quem está e quem me faz bem. Nada mais.

O resto é apenas e só música de fundo.

 

 

22
Set17

Coisas que funcionam e nos facilitam a vida - mesmo!

Joana

Apesar de considerar que há, de facto, muita coisa - até demais! - que nos pode simplificar a vida, sinto-me não raras vezes assoberbada pela quantidade louca de informação e estímulos que me chega de todos os lados, a toda a hora. Tenho pouca tolerância a receber todas estas informações em catadupa, por isso faço um esforço para as filtrar e, sabendo que poderei perder em algumas frentes, e, com isso, boas oportunidades e/ou escolhas, sei também que aquelas que me merecem atenção ficam por muito tempo.

 

Nesta fase, o mais importante de tudo para mim é encontrar soluções que simplifiquem a minha vida e cuja adesão não me faça ter de perder muito tempo, pois sei que, se tal acontecer, eu irei, invariavelmente desistir. Não porque não tenha paciência, mas porque não quero desperdiçar constantemente o meu tempo em função de coisas que me ficam uns trocos mais baratos. Sou muito poupada - atenção! -  mas acho que fazer 10 Kms para poupar 3 cêntimos na gasolina ou pagar num hipermercado mais 20% que nos outros sítios, para depois ter descontos de 15% em cartão numa compra seguinte, são coisas que, para mim, e face à minha vida tão preenchida neste momento, não justificam o tempo de um estudo prévio que tem sempre de ser feito e até (quem diria que eu um dia iria dizer isto) complicam, por vezes, as coisas. Ou seja, eu aproveito tudo o que possa ajudar às contas, mas não vou ter um custo de oportunidade tal, que me roube o meu bem mais precioso - o tempo.

 

Isto tudo para vos falar de algo que não é novidade nenhuma para quase ninguém, mas que o era, até há poucos minutos, para mim (Joana, sai da caverna!): o MB Way.

 

 

Este MB Way, de facto, é uma maravilha. Facilita imenso os pagamentos e, ao contrário do que eu pensava, até lhe ter dado uma oportunidade, é muito seguro e ajuda MESMO a simplificar a nossa vida e a tornar o nosso tempo mais eficiente. Não sei se estão a par do que se trata, mas sumariamente é uma forma de pagamento através de uma app do telemóvel que, por estar associada a um cartão de débito, nos permite pagar, no momento exato, compras online, sejam elas de que âmbito forem. Claro que o reverso da medalha é que esta simplificação toda contribui, também para a simplificação das compras por impulso, por isso exige-se uma certa sensatez e sanidade mental para usar este aplicativo. Mas como eu sei que vocês são ajuizados, fico de consciência tranquila. A ativação demora 1 minuto numa caixa Multibanco e outro minuto no telemóvel, apenas para descarregar a app e inserir um código. E já está. 

 

Usei-o há pouco mesmo para comprar uns bilhetes numa bilheteira online. Posso dizer que desde que cheguei ao site até que efetivei a compra, não demorei mais de 1 minuto. Três minutos foi o que gastei, no todo, entre decidir a compra e ter os bilhetes, prontos a serem imprimidos, na caixa de email (mérito também à plataforma de venda de bilhetes, que funciona bastante bem!). A sério que fiquei fã. Melhor acho impossível.

 

MB Way - aprovadíssimo pelo Verde Vermelho desde setembro de 2017.

 

 

 

 

 

 

 

 

15
Set17

Não percam tempo com ninharias!

Joana

Irrita-me profundamente esta coisa quase provinciana de haver sempre alguém a apontar o dedo a tudo o que mexe (e não mexe). Chateia-me que as pessoas não tenham vontade de investir o seu tempo em coisas úteis, em vez de se desgastarem em ninharias que não importam nada, mas que depois trazem consequências negativas a eles e aos outros.

 

Desta vez, são as as eleições e o futebol.

A sério que havia necessidade de alterar a hora do jogo para forçar (e aqui está o ponto essencial) as pessoas a irem votar e - pior! - virem depois dizer que a alteração tem única e exclusivamente a ver com a segurança de todos os que se deslocam ao estádio para ver o clássico? Há quem pense que andamos todos a comer palha, certamente. E que coisa é esta de alguém se ter lembrado de apontar o dedo a esta questão, numa mesquinhez que não tem classificação possível? E o que é que uma coisa tem a ver com a outra? E nós vamos todos a correr votar, porque nos "tiraram" o futebol? Estamos a ser cobaias de algum tipo de teoria pavloviana? Uma estupidez profunda, a meu ver.

 

Tenho para mim que este tipo de atitudes leva as pessoas a desacreditarem a democracia e, por conseguinte, poderá ter o efeito inverso ao pretendido. Se formos todos vistos como animais em fila, comandados por um pastor que se considera detentor do poder absoluto sobre toda e qualquer decisão pessoal, então estamos numa ditadura, e não numa democracia. E, que eu saiba, o voto é coisa de um estado democrático, não é?

 

Senhores, limpem lá os Velhos do Restelo das vossas cadeiras e pensem com calma se isto faz algum sentido. Posso estar errada, mas acho mesmo que, à conta desta decisão, a abstenção vai aumentar exponencialmente. Oxalá esteja errada, mas duvido muito que sim.

 

 

13
Set17

Eu não fui feita para ter classe.

Joana

Eu sou uma pessoa que não aprecia álcool. Não bebo, porque não consigo mesmo gostar do sabor, nem do efeito a que o seu excesso conduz (que até hoje, apenas e só vi nos outros). A sério que não sou antissocial, nem hamish, nem extraterrestre, confiem em mim.

 

 

 

 

Esta pura incapacidade leva-me a sentir-me, por vezes, um pouco subvalorizada em momentos sociais, porque, para além de não ser muito compreendida, nunca terei a dignidade ou a classe de ser vista e fotografada com um copo de vinho tinto na mão, um copo de vinho branco numa mesa a meia luz ou um copo de champanhe em alturas de festa. Em vez disso, apenas terei a simplicidade da água a imitar vodka, da SevenUp a imitar gin, do Ice Tea a imitar licor e, no pior dos cenários, do Champomy a imitar champanhe ou uma bebida de classe semelhante.

 

No meio deste cenário catastrófico, valem-me duas coisas: o facto de o J. ser, aparentemente, o único espécime masculino à face da Terra igual a mim neste campo e de os outros nos verem sempre como aquele casal querido, que não bebe, e nos olharem de uma forma que contempla um misto de comiseração e enternecimento, por sermos diferentes. Tipo uns vegan numa churrascada, mas com menos estilo. Enfim. Cada um nasce para o que nasce e eu, aparentemente, não nasci para um nível de classe que se alcança com um copo de um bom vinho tinto na mão. Triste.

 

(E a sério que não vale a pena tentarem a minha evangelização neste âmbito, falando-me de Vinho do Porto ou da Madeira, porque aquilo em lado e momento algum será entendido como doce pelo meu palato. Antes como algo para curar dores de garganta profundas ou puramente para desinfestação interna.)

 

 

 

08
Set17

Ó senhores, decidam-se! (inclui uma Dica grátis!)

Joana

Eu não consigo perceber mesmo como certas pessoas conseguem ser exageradamente incoerentes na forma como, genericamente, comunicam e, especificamente, se despedem nos seus emails. 

 

De um lado, temos a equipa daqueles que, a cada mensagem que enviam, optam por uma fórmula de despedida diferente - Melhores Cumprimentos, Atentamente, Ao dispor, Despeço-me respeitosamente e por aí fora -, numa possível tentativa (vã) de parecerem extremamente cultos, quando só parecem pessoas totalmente indecisas e inconstantes. Do outro lado, temos a equipa daqueles que, quando estão presencialmente comigo, dão beijinhos, são muito amistosos e de sorriso aberto, mas quando enviam emails são formais e totalmente quadrados, aplicando a expressão-padrão Melhores Cumprimentos a tudo o que mexe, que eles não estão ali para se maçar muito. Esta última equipa, ao desejar avidamente parecer educada e respeitadora do espaço pessoal do seu interlocutor, acaba por ser interpretada como incoerente e, por vezes, falsa.

 

Por isso, a estas duas equipas apraz-me apenas mostrar o seguinte cartaz que, não sendo político, é, à sua maneira, bem chamativo:

 

 

Exato: Big No!

 

Por isso, acho que estou a prestar um serviço público de utilidade ao partilhar estas minhas experiências e ao dizer, a plenos pulmões (inspirada pelos 37 discursos políticos que ouvi nos últimos dias por todo o lado para onde me vire): PAREM COM ISSO! Sejam coerentes! É importante manter o registo nos nossos discursos. sejam eles orais ou escritos, sob pena de sermos interpretados erradamente pelos recetores das nossas mensagens. Imaginem o que é eu estar com alguém, cheia de palavras simpáticas, piadas, sorrisos, beijinhos e abraços e depois despedir-me com um tão reconfortante Ao Dispor. E no dia seguinte com um Atentamente. A sério. Não façam isso. Vão por mim!

 

 

Melhores cumprimentos a todos! ;)

 

 

04
Set17

Pode ter sido só por eu estar com sono.

Joana

Ainda hoje me está aqui a pulsar na cabeça a frase que ontem um jovem muito mal encarado que trabalha numa churrasqueira me disse, quando me entregou o meu pedido, sem que antes me tenha dirigido qualquer palavra que fosse, a não se as obrigatórias "Molho normal ou picante?". Entregou-me o saquinho azul (estamos no âmbito da mensagem literal, atenção!) cheio de gordura nas asas e disse-me isto: "Boa sorte". Podia ter optado por um "Boa tarde", um "Muito obrigado", um "Até à próxima" ou um "Volte sempre". Mas não. Disse "Boa sorte".

 

Expliquem-me, por favor. É simples parvoíce ou isto encerra em si toda uma mensagem demasiado subliminar, que fui incapaz de decifrar? Estou aberta a ouvir as vossas teorias explicativas sobre este momento breve, mas intenso, do meu domingo. Obrigada.

 

31
Ago17

Figos e amoras silvestres.

Joana

Sou tão feliz rodeada por eles. Ali, na árvore a olhar para mim e a lançar aquele perfume só deles ou além, naquele arbusto escondido, mesmo à minha espera, entre dezenas de picos prontos a atacar-me. É, talvez, das melhores recordações de todos os meus verões. E é (também e muito) por isto que eu adoro o verão.

 

(Já estou na cidade e estou em processo de negação quanto à velocidade atroz com que o verão se está a aproximar do seu fim. Compreendam a minha dor.)

 

 

26
Ago17

2 ou 70 Euros?

Joana

A moda está toda tão virada do avesso (para não dizer coisas como "marada), que eu há dias vi um rapaz com uns 14 ou 15 anos vestido com calções e t-shirt de marca e uns chinelos de piscina (daqueles azuis marinho com duas listas brancas, estão a ver?) e fiquei a pensar se aquele calçado seria mesmo um de dois euros dos chineses ou um de setenta euros dos de marca. No fundo, não percebi se era simplicidade ou moda, se era humildade ou opulência.

 

Aparentemente, é este o ponto em que estamos.

 

 

(Tenho para mim que não estará para tardar a moda de usar isto com meia branca.)

 

 

 

Eu.

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