Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

Verde Vermelho

17
Fev17

Ajudar o próximo?

Joana

Ontem, numa ida ao banco à hora de almoço para levantar dinheiro, entra uma senhora muito velhinha numa cadeira de rodas, acompanhada de uma mulher relativamente jovem, com os seus 35/40 anos. Ao perceber que os balcões estavam fechados àquela hora, a rapariga disse:

- Está fechado.

 A senhora idosa, claramente limitada a vários níveis pela idade, respondeu simplesmente:

- O quê?

Este diálogo repetiu-se, penso, umas cinco vezes, sendo que da terceira para a frente a acompanhante gritava com a senhora idosa, cada vez de forma mais aguerrida. Eu, que estava virada para a caixa multibanco, não consegui conter-me e olhei para trás, para tentar perceber que erro fatal estaria a senhora na cadeira de rodas a cometer, para merecer tal rispidez da mulher que a acompanhava. A verdade é que não estava a fazer nada, nem tão pouco era daquelas pessoas idosas que vê a sua idade como um posto que lhe permite desconsiderar os que a rodeiam. Não. Era uma senhora bem arranjada [daquelas senhoras bonitas, maquilhadas e sempre com as unhas e o cabelo impecáveis, estão a ver?], delicada e simpática, sempre bem educada para com as poucas pessoas que encontrou pelo caminho até ao banco. E a rapariga ali, toda alterada pelo facto de o banco estar fechado e de ainda ter de ficar responsável por aquela senhora. Tudo piorou quando a mulher fez uma espécie de "Pff", enquanto deu um risinho patético e revirou os olhos, depois de a senhora lhe ter perguntado uma última vez "O quê?", antes de desistir de tentar perceber. Fiquei de coração partido. Não sei se a acompanhante era familiar ou uma auxiliar da Junta de Freguesia ou de algum lar, mas que raio de critério existe na seleção dos cuidadores? Que pessoas são estas? Terão perdido os seus valores, ou nunca os tiveram? Acharão que vão ter sempre saúde e que nunca precisarão de alguém? Como podem as pessoas sentir-se bem a gritar de forma enervada para alguém que nunca as desrespeitou e que, mais do que ninguém, sofre com as suas limitaçãoes? Fiquei de rastos. Aconteceu ontem e ainda não consegui esquecer aquela imagem. Talvez por choque, não consegui interferir e calar a "cuidadora" e limitei-me a esboçar um sorriso terno com a senhora idosa e a desejar-lhe uma boa tarde. Foi quase em surdina, mas obtive uma resposta e um sorriso de volta. Talvez isso signifique bem mais do que todas as palavras que possa escrever a expressar a dor que senti.

5 comentários

Comentar post

Eu.

foto do autor

Instagramem-me!

@joaninha_me