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Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

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Verde Vermelho

07
Ago17

Mas quem sabe mais das minhas rotinas do que eu própria?

Joana

Andamos, como sabem, a fazer algumas remodelações em casa e, como somos gente poupadinha, grande parte dessa tarefa está - literalmente! - nas nossas mãos. Ou seja, tudo o que sejam decisões do âmbito das pinturas e decoração está a sair-nos apenas da nossa cabeça (e bolso!). Apesar disso, somos pessoas que gostam de pedir e ouvir opiniões e sugestões a quem possa mostrar perceber alguma coisa da poda. No entanto, temos também a noção de que muitos "profissionais" têm centenas de ideias para tudo e mais alguma coisa, mas esses, regra geral, acabam por se enrolar de tal forma nos seus projetos e palavras, que acabam por chegar a estradas sem saída e nos deixam a olhar para eles com ar de "Hee... mas isso não faz sentido nenhum...". Já no passado tomámos uma má decisão, porque, para além de sermos bastante indecisos em certos momentos, o cansaço da rotina diária de trabalho levou-nos a aceitar seguir uma ideia proposta por um profissional, que acabou por se revelar um falhanço, tal como, alías, tínhamos uma ligeira impressão que pudesse acontecer. Mas serviu para aprender.

 

Nesta primeira fase das nossas obras, o alvo a atacar era o nosso quarto. Sabíamos que o queríamos mudar radicalmente face ao que estava, porque, por um lado, estávamos condicionados por essa tal má decisão no passado que não era totalmente passível de ser solucionada, e por outro estivemos dois anos a viver com infiltrações precisamente no quarto, pelo que tudo ali, como estava, nos transmitia desconforto e nos acordava más memórias. Vai daí, se certas coisas não se podem mudar, mudam-se então outras. O alvo passou a ser, por isso, as paredes. Entre decisões quanto a cores e a padrões, só queria que tivessem visto a quantidade de pessoas que nos disseram: "Não se preocupe tanto com as cores das paredes, as pessoas raramente estão no quarto, sem ser para dormir.". Sempre que eu ouvia isto, começava a borbulhar dentro de mim uma espécie de ira, capaz de dar uma resposta torta a quem me dissesse tal disparate. Mas consegui conter-me sempre (e olhem que foi um grande esforço!) e dizer apenas: "Eu não penso da mesma forma".

 

 

 Para mim, o quarto é um local essencial da casa. Já era assim na casa dos meus pais e agora não é diferente. Eu sou pessoa de gostar de estar uns longos momentos só, em silêncio (enquanto a vida mo permite, claro!), a apreciar tudo, sem interferências. Para mim, um quarto é lugar de calma, de reflexão, de leitura. Desde sempre que me lembro de gostar muito de quartos e da sensação de tranquilidade e conforto que eles me dão. Até me lembro que, quando era miúda e ia a casa de algum amigo ou vizinho, o que eu mais queria ver eram os quartos. Não faço ideia se isto define alguma coisa do meu caráter ou revela algum distúrbio de personalidade com nome estranho, mas é a verdade. Por isso, não me venham dizer que os quartos não são assim tão importantes ou que as decisões que tomar nunca terão tanto impacto como eu desejo. Sabem lá estas pessoas o que estão a dizer!

 

(E, se calhar, valeria a pena pensar que nem todas as pessoas são iguais e que há clientes que podem não estar inteiramente de acordo com tudo o que lhes dizem. Penso eu de que.)

 

 

03
Nov15

Falemos de coisas sérias.

Joana

Hoje em dia, a questão de se ser dador de medula óssea está muito em destaque por todo o lado e é quase unânime que todos estão na disposição de ajudar quem precisa, porque é um gesto humano de amor ao próximo e porque não custa. A verdade é que as coisas não são assim tão lineares e, penso, as pessoas não refletem bem e oferecem-se como dadores sem pensarem bem na responsabilidade que isso acarreta. Não tenho nada contra - aliás, sou totalmente a favor! - de que as pessoas façam os testes e se ofereçam para ajudar quem mais precisa. Sou uma pessoa muito humana e atenta às necessidades dos que vejo à minha volta, mas sou também muito objetiva e custa-me a aceitar esta quase "moda" de se ser dador, sem se pensar verdadeiramente nas consequências.

 

Há tempos falava com uma aluna minha, que tem uma amiga que ficou parcialmente imobilizada à conta de uma cirurgia de transplante de medula, após ter estado muitos meses num hospital, internada, por várias complicações que surgiram entretanto. Dizia-me a minha aluna que nada no processo foi fácil. A cirurgia foi morosa e não correu bem, as dores da recuperação foram enormes e a dadora sofreu bastante. Se valeu a pena? Sim, claro, salvou-se uma vida e nada disso está posto em causa. Se a pessoa teria sido dadora se tivesse sabido de antemão todos os riscos implicados? Não sei responder. E penso que ela também não.

 

Como tudo o que é seguido num estilo de "cegueira" quase fundamentalista, sou muito crítica em relação a esta coisa de se assumir que ser dador é quase uma obrigação e que todos devemos sê-lo, sem qualquer hesitação. Não, tem de haver alguma reflexão prévia, têm de ser medidas todas as consequências. Porque pior que não ter dador, é saber que ele existe e, tendo tomado conhecimento de tudo por que irá passar, recua e não salva a vida que depende dele. Acredito que seja um desespero para quem espera, mas será sempre uma tortura para quem desistiu, que não se perdorá pelo resto dos seus dias. Sejamos menos levianos nas nossas escolhas e reflitamos mesmo e de forma responsável sobre os propósitos que assumimos. Trata-se de dar parte da nossa vida para salvar o outro. E nada que envolva vidas deve ser decidido de ânimo leve. Infelizmente, é isso que vejo acontecer todos os dias.

 

 

Eu.

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