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Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

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Verde Vermelho

16
Jan18

Super Nanny em cinco frases. Fundamentalismos ou provocações à parte.

Joana

 

1. Vi e não mudei de canal.

2. O facto de toda a internet estar muito indignada diz, por si só, tudo.

3. Nada me surpreende hoje em dia.

4. Há muita gente com demasiado tempo nas mãos e com uma vontade anormal de ter um enfarte.

5. Diz o Correio da Manhã que cada família recebe 1000 euros por episódio.

 

 

Tenho dito. Tirem as vossas próprias conclusões.

Ah... e bebam um cházinho de camomila, que acalma.

 

 

 

 

 

 

11
Jan18

Aprendamos com os exemplos de crianças de 8 anos.

Joana

Pergunta constante no manual de Língua Portuguesa:

"E tu, conheces outras especiarias, para além da canela? Indica algumas delas!"

 

Resposta de um aluno mesmo muito correto, sossegado e educado:

"Eu não conheço praticamente nenhumas, porque não cozinho e a minha mãe não me deixa mexer em certas coisas. Mas obrigado por perguntar."

 

 

Ri-me tanto com isto, que até chorei.

Adoro a inocência! Mesmo!

 

 

06
Jan18

Ó Sra., tenha lá calma com isso!

Joana

Ontem, quando tive a brlhante ideia de ir abastecer o carro a uma bomba de gasolina às sete horas da noite, levei com uma enchente de carros entre a própria da bomba e a caserninha de pagamento. Ando bastante calma - talvez das festas, quem sabe - e levei tudo tranquilamente, sem exaltações. Dei prioridade de passagem a um carro que se estava a fazer de chico esperto na fila e a insistir naquela coisa de carregar no acelerador continuamente, do género "se eu pudesse, já tinha passado por cima destes carros todos e esmagava-os um a um". Como era de uma empresa de venda de salgadinhos e eu gosto bastante de rissóis, chamuças e croquetes (ou talvez porque não estivesse para me chatear), dei-lhe a prioridade que não tinha e até lhe sorri, no gesto de cedência de passagem. Estávamos todos parados, de motores ligados e a gastar os cêntimos que o desconto daquele dia nos tinha sido gentilmente oferecido, mas eu estava bem e calminha. Quando chega a minha vez de ser atendida, levo com isto:

 

Funcionária: A SENHORA DA PRÓXIMA VEZ NÃO DEIXE PASSAR OS CARROS À FRENTE! O CONDUTOR DO VEÍCULO ANTERIOR PASSOU TODO O TEMPO A QUEIXAR-SE E AINDA SE ACHOU CHEIO DE RAZÃO! NÃO PODE FAZER ISSO! (acrescentem ao perfil da senhora funcionária algumas marcas de personalidade, como olhos esbugalhados, voz num tom muito acima do desejável e com bastante irritação à mistura e cara vermelha como se tivesse levado um par de estalos a uma velocidade francamente considerável).

 

Eu: Não há problema nenhum. Não vale a pena chatearmo-nos. O senhor foi à vida dele e agora eu trato da minha. Não esperei assim tanto. Não se exalte.

 

Funcionária: POIS, MAS EU NÃO ESTOU A FALAR DE SI. AGORA VOU TER DE LEVAR COM AS QUEIXAS DE TODOS OS OUTROS CONDUTORES QUE FICARAM À ESPERA! NÃO PO-DE FA-ZER IS-SO!

 

De repente, enquanto ela lá fazia os pagamentos e deitava fumo pelas narinas (podia ser apenas do frio, não sei), deu-me para olhar para trás e reparar nos tais "outros condutores". Estavam todos a olhar para os telemóveis, calmos, nas suas vidas, provavelmente felizes pela chegada do fim de semana, e nenhum a pressionar. Depois olhei para o monitor da máquina registadora e vi que ainda era dia 5 de janeiro. Só me saiu isto:

 

Eu: E ainda só passaram cinco dias... Está difícil, isso.

 

 

 

Acho que nunca mais vou abastecer ali.

Assim como assim, gasto o que poupo. Em tudo, aparentemente.

 

 

 

 

 

 

 

08
Nov17

Se tiverem baixa autoestima, preparem-se para ela ficar quase a bater no fundo.

Joana

Uma das etapas de (re)começar a praticar qualquer exercício deverá ser a avaliação física prévia, para verificar se existe alguma contraindicação. No caso do Pilates, esta avaliação é, sobretudo, postural e visa reconhecer o que há a corrigir e, se possível, a tratar.

Já fiz algumas avaliações físicas em ginásios, mas nunca como desta vez. Para além de que aquilo que se faz nestes espaços me parecer sempre uma tanga e já por diversas vezes me terem sido indicados exercícios que me pioraram as minhas queixas e problemas, sempre achei que era um engodo para conquistar as pessoas e as inscrições.

 

Quando fui à consulta de avaliação no âmbito do Pilates, a coisa foi bem diferente. Colaram-me uns autocolantes em articulações específicas, tiraram-me umas fotografias e a coisa foi indo bem e de forma levezinha. Isto até parecia ser tudo muito giro e tal, até levar depois com o valente embate de ver as fotografias do meu corpinho e perceber que as bolinhas que deveriam estar ao mesmo nível estão quase todas em níveis diferentes, e que o que deveria estar para trás, está para a frente e o que deveria estar para fora, está para dentro. A coisa piora, invariavelmente, se a terapeuta nos disser coisas como "Uuui, como isto está!" ou "Percebi que havia aqui um desalinhamento, mas tanto assim nunca imaginei!" - o que, de facto, aconteceu. Eu cá acho que não se perdia nada em sermos aconselhados a fazer um exercício mental de fortalecimento da autoestima antes de irmos fazer estas avaliações, mas isto são só considerações minhas.

 

Quando saí desta sessão, vinha cabisbaixa. Está bem que todos somos um pouco tortos, mas TÃO torta, também acho que não seria preciso. Entretanto já recuperei deste choque, mas fiquei a pensar que quem tem dificuldades em gostar de si e do seu corpo, deve ficar de rastos ao perceber que é, efetivamente, uma pessoa toda desconchavada. Enfim, há males piores. Apesar de tudo, serve de motivação para irmos ao Pilates e não arranjarmos desculpas. Ao menos isso: torta, mas responsável.

 

[Entretanto, o J. disse que me ia pôr na reciclagem. Amigo do ambiente, este rapaz.]

 

 

 

 

13
Set17

Eu não fui feita para ter classe.

Joana

Eu sou uma pessoa que não aprecia álcool. Não bebo, porque não consigo mesmo gostar do sabor, nem do efeito a que o seu excesso conduz (que até hoje, apenas e só vi nos outros). A sério que não sou antissocial, nem hamish, nem extraterrestre, confiem em mim.

 

 

 

 

Esta pura incapacidade leva-me a sentir-me, por vezes, um pouco subvalorizada em momentos sociais, porque, para além de não ser muito compreendida, nunca terei a dignidade ou a classe de ser vista e fotografada com um copo de vinho tinto na mão, um copo de vinho branco numa mesa a meia luz ou um copo de champanhe em alturas de festa. Em vez disso, apenas terei a simplicidade da água a imitar vodka, da SevenUp a imitar gin, do Ice Tea a imitar licor e, no pior dos cenários, do Champomy a imitar champanhe ou uma bebida de classe semelhante.

 

No meio deste cenário catastrófico, valem-me duas coisas: o facto de o J. ser, aparentemente, o único espécime masculino à face da Terra igual a mim neste campo e de os outros nos verem sempre como aquele casal querido, que não bebe, e nos olharem de uma forma que contempla um misto de comiseração e enternecimento, por sermos diferentes. Tipo uns vegan numa churrascada, mas com menos estilo. Enfim. Cada um nasce para o que nasce e eu, aparentemente, não nasci para um nível de classe que se alcança com um copo de um bom vinho tinto na mão. Triste.

 

(E a sério que não vale a pena tentarem a minha evangelização neste âmbito, falando-me de Vinho do Porto ou da Madeira, porque aquilo em lado e momento algum será entendido como doce pelo meu palato. Antes como algo para curar dores de garganta profundas ou puramente para desinfestação interna.)

 

 

 

08
Set17

Ó senhores, decidam-se! (inclui uma Dica grátis!)

Joana

Eu não consigo perceber mesmo como certas pessoas conseguem ser exageradamente incoerentes na forma como, genericamente, comunicam e, especificamente, se despedem nos seus emails. 

 

De um lado, temos a equipa daqueles que, a cada mensagem que enviam, optam por uma fórmula de despedida diferente - Melhores Cumprimentos, Atentamente, Ao dispor, Despeço-me respeitosamente e por aí fora -, numa possível tentativa (vã) de parecerem extremamente cultos, quando só parecem pessoas totalmente indecisas e inconstantes. Do outro lado, temos a equipa daqueles que, quando estão presencialmente comigo, dão beijinhos, são muito amistosos e de sorriso aberto, mas quando enviam emails são formais e totalmente quadrados, aplicando a expressão-padrão Melhores Cumprimentos a tudo o que mexe, que eles não estão ali para se maçar muito. Esta última equipa, ao desejar avidamente parecer educada e respeitadora do espaço pessoal do seu interlocutor, acaba por ser interpretada como incoerente e, por vezes, falsa.

 

Por isso, a estas duas equipas apraz-me apenas mostrar o seguinte cartaz que, não sendo político, é, à sua maneira, bem chamativo:

 

 

Exato: Big No!

 

Por isso, acho que estou a prestar um serviço público de utilidade ao partilhar estas minhas experiências e ao dizer, a plenos pulmões (inspirada pelos 37 discursos políticos que ouvi nos últimos dias por todo o lado para onde me vire): PAREM COM ISSO! Sejam coerentes! É importante manter o registo nos nossos discursos. sejam eles orais ou escritos, sob pena de sermos interpretados erradamente pelos recetores das nossas mensagens. Imaginem o que é eu estar com alguém, cheia de palavras simpáticas, piadas, sorrisos, beijinhos e abraços e depois despedir-me com um tão reconfortante Ao Dispor. E no dia seguinte com um Atentamente. A sério. Não façam isso. Vão por mim!

 

 

Melhores cumprimentos a todos! ;)

 

 

04
Set17

Pode ter sido só por eu estar com sono.

Joana

Ainda hoje me está aqui a pulsar na cabeça a frase que ontem um jovem muito mal encarado que trabalha numa churrasqueira me disse, quando me entregou o meu pedido, sem que antes me tenha dirigido qualquer palavra que fosse, a não se as obrigatórias "Molho normal ou picante?". Entregou-me o saquinho azul (estamos no âmbito da mensagem literal, atenção!) cheio de gordura nas asas e disse-me isto: "Boa sorte". Podia ter optado por um "Boa tarde", um "Muito obrigado", um "Até à próxima" ou um "Volte sempre". Mas não. Disse "Boa sorte".

 

Expliquem-me, por favor. É simples parvoíce ou isto encerra em si toda uma mensagem demasiado subliminar, que fui incapaz de decifrar? Estou aberta a ouvir as vossas teorias explicativas sobre este momento breve, mas intenso, do meu domingo. Obrigada.

 

26
Ago17

2 ou 70 Euros?

Joana

A moda está toda tão virada do avesso (para não dizer coisas como "marada), que eu há dias vi um rapaz com uns 14 ou 15 anos vestido com calções e t-shirt de marca e uns chinelos de piscina (daqueles azuis marinho com duas listas brancas, estão a ver?) e fiquei a pensar se aquele calçado seria mesmo um de dois euros dos chineses ou um de setenta euros dos de marca. No fundo, não percebi se era simplicidade ou moda, se era humildade ou opulência.

 

Aparentemente, é este o ponto em que estamos.

 

 

(Tenho para mim que não estará para tardar a moda de usar isto com meia branca.)

 

 

 

14
Ago17

Coisas que o nosso homem nos diz e não deveria dizer.

Joana

Ora bem, logo à partida, este título daria pano para mangas. Mas vamos tentar ser breves, como será apanágio deste blogue, durante o mês de agosto.

 

O J. é romântico à sua maneira. Ou seja, não é a pessoa mais sensível do mundo, mas não faz por mal. O problema está, essencialmente, nos timings. É pessoa para estar a falar do nosso amor, dos passarinhos e de boas memórias dos primeiros tempos de namoro e depois, quando eu já estou enlevada e começo a entrar nessa onda, ele sair-se com uma tirada do género "O presunto do lanche era uma maravilha". Não é a coisa mais fofinha do mundo, mas aguenta-se.

 

Serve esta breve introdução para vos dizer que ontem, quando estávamos com o nosso cão a passear e a contemplar o que de melhor a aldeia tem, e o J. estava a começar a entrar em modo romântico e eu a deixar-me ir, se sai com "Estás a ficar com branquinhas". Eu disse algo como "Sim, eu sei.". E pronto, a conversa poderia - e deveria! - ter ficado por ali, mas o meu caro marido ainda fez questão de acrescentar: "Mas é que são mesmo muitas. Olha aqui... tantas!". Pronto, viemos o resto do caminho em silêncio.

 

Homens, a sério: não digam tudo o que pensam e parem quando vos aconteceu um primeiro deslize - não insistam. Não precisamos que nos relembrem que estamos a envelhecer e que somos muito piores nessa missão do que vocês. Lembrem-se que as mulheres, regra geral, acham as vossas brancas sexys e as vossas rugas charmosas. Façam de conta que o contrário também é verdade e serão muito mais felizes.

 

Eu.

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