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Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

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Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

15 de Setembro, 2014

Ó Joana, tu não devias estar contente com o início do ano letivo?

Joana
Devia, claro! É a altura em que tudo recomeça, o que é ótimo depois de um mês ao estilo "deserto". Mas detesto, na verdade, porque é a altura em que os meus professores me dão conta das suas novas disponibilidades e, regra geral, me indicam que foram colocados em Cascos de Rolha ou em qualquer outro sítio, ou então que arranjaram outra atividade fora do domínio da educação, que lhes ocupa o tempo. 

Em que é que isto inevitavelmente dá?
Dá numa enorme dor de cabeça à Joana, que tem de encetar uma horrorosa fase de entrevistas em que deteta que a educação está podre, que os valores que movem os professores são balofos, que as pessoas não querem trabalhar e que o professorado se continua a achar uma classe diferente - superior - às restantes e, por isso, merecedora de benesses distintas.
Eu sou professora e contra mim falo, mas detesto MESMO a minha classe. São raros, muito raros mesmo, os profissionais dignos do título de professor, com todos os valores e qualidades que a sua profissão exige. Uma frustração. Se se avaliasse, de facto, a qualidade, havia tanto, mas tanto por onde cortar...


15 de Setembro, 2014

Ó Joana, tu não devias estar contente com o início do ano letivo?

Joana
Devia, claro! É a altura em que tudo recomeça, o que é ótimo depois de um mês ao estilo "deserto". Mas detesto, na verdade, porque é a altura em que os meus professores me dão conta das suas novas disponibilidades e, regra geral, me indicam que foram colocados em Cascos de Rolha ou em qualquer outro sítio, ou então que arranjaram outra atividade fora do domínio da educação, que lhes ocupa o tempo. 

Em que é que isto inevitavelmente dá?
Dá numa enorme dor de cabeça à Joana, que tem de encetar uma horrorosa fase de entrevistas em que deteta que a educação está podre, que os valores que movem os professores são balofos, que as pessoas não querem trabalhar e que o professorado se continua a achar uma classe diferente - superior - às restantes e, por isso, merecedora de benesses distintas.
Eu sou professora e contra mim falo, mas detesto MESMO a minha classe. São raros, muito raros mesmo, os profissionais dignos do título de professor, com todos os valores e qualidades que a sua profissão exige. Uma frustração. Se se avaliasse, de facto, a qualidade, havia tanto, mas tanto por onde cortar...


15 de Setembro, 2014

O filho é vosso, não é meu!

Joana
Hoje veio cá a tal senhora das "visões", juntamente com o marido... Queriam que eu lhes desse uma (ou a) receita infalível de apoio escolar para que estivesse garantido que o filho ia ter sucesso e que, no futuro, seria médico. Se isto, por si só, já é ridículo, pior se torna se eu disser que o aluno tem apenas sete anos. Pois. E isto é só o início.

Depois, outra...
O filho é "a coisa mais importante da vida" deles, mas informarem-se sobre as aulas dele, o início da escola, os horários, as atividades obrigatórias e opcionais, etc. nada! Nem se deram ao trabalho de pensar, até à passada sexta feira, último dia de férias dos miúdos, que faltava ali qualquer coisa. Conclusão: nem livros o miúdo tem e vai entrar numa nova escola completamente perdido e alheado de tudo. Isto, sim, são pessoas cuidadosas e pais exemplares. A coisa piorou quando lá veio, de fininho, a desculpa do "ando sempre de um lado para o outro e não consigo lembrar-me de tudo". Sem comentários.

(Como o J. diz, se ela vê as coisas por dentro, também poderia ter visto o vidro das janelas da escola por dentro, que é onde são colados todos os papéis com todas as informações, inclusivamente as datas das reuniões com os professores e pais.)

Segue-se outra...
Pediram-me para ser eu a decidir o que fazer com o miúdo. Propus um plano semanal de apoio escolar e indiquei o que será feito nesses períodos. Expliquei 790 vezes a diferença entre as disciplinas obrigatórias e as opcionais (na escola). Alertei para o facto de os finais de dia muito preenchidos e com atividades desportivas não renderem tanto no estudo. Falei do descanso e da responsabilidade que deve ser atribuída às crianças. Chamei a atenção para todos os pontos. No fim, decidiram tudo a correr, sem qualquer consideração pelo que estive para ali a dizer - vai tudo corrido a apoio todos os dias, mesmo no final do tarde e não interessa nada se está cansado ou não, tem mais é que trabalhar. (Estão a ver o género, não estão?) Estive a cansar-me, portanto.

Finalmente...
Parece que viram um extraterrestre a comer uma francesinha quando lhes disse que eu não podia garantir sucesso, porque isso não depende só do meu trabalho. "Como assim?" - perguntaram eles.
Eu desesperei.
O que fui eu dizer? Então isto não é tipo ponho uma moeda / sai prémio?
a
a
Aiii, santa paciência... vai ser este o meu caso bicudo deste ano letivo? (todos os anos tenho um diferente na rifa....)

15 de Setembro, 2014

O filho é vosso, não é meu!

Joana
Hoje veio cá a tal senhora das "visões", juntamente com o marido... Queriam que eu lhes desse uma (ou a) receita infalível de apoio escolar para que estivesse garantido que o filho ia ter sucesso e que, no futuro, seria médico. Se isto, por si só, já é ridículo, pior se torna se eu disser que o aluno tem apenas sete anos. Pois. E isto é só o início.

Depois, outra...
O filho é "a coisa mais importante da vida" deles, mas informarem-se sobre as aulas dele, o início da escola, os horários, as atividades obrigatórias e opcionais, etc. nada! Nem se deram ao trabalho de pensar, até à passada sexta feira, último dia de férias dos miúdos, que faltava ali qualquer coisa. Conclusão: nem livros o miúdo tem e vai entrar numa nova escola completamente perdido e alheado de tudo. Isto, sim, são pessoas cuidadosas e pais exemplares. A coisa piorou quando lá veio, de fininho, a desculpa do "ando sempre de um lado para o outro e não consigo lembrar-me de tudo". Sem comentários.

(Como o J. diz, se ela vê as coisas por dentro, também poderia ter visto o vidro das janelas da escola por dentro, que é onde são colados todos os papéis com todas as informações, inclusivamente as datas das reuniões com os professores e pais.)

Segue-se outra...
Pediram-me para ser eu a decidir o que fazer com o miúdo. Propus um plano semanal de apoio escolar e indiquei o que será feito nesses períodos. Expliquei 790 vezes a diferença entre as disciplinas obrigatórias e as opcionais (na escola). Alertei para o facto de os finais de dia muito preenchidos e com atividades desportivas não renderem tanto no estudo. Falei do descanso e da responsabilidade que deve ser atribuída às crianças. Chamei a atenção para todos os pontos. No fim, decidiram tudo a correr, sem qualquer consideração pelo que estive para ali a dizer - vai tudo corrido a apoio todos os dias, mesmo no final do tarde e não interessa nada se está cansado ou não, tem mais é que trabalhar. (Estão a ver o género, não estão?) Estive a cansar-me, portanto.

Finalmente...
Parece que viram um extraterrestre a comer uma francesinha quando lhes disse que eu não podia garantir sucesso, porque isso não depende só do meu trabalho. "Como assim?" - perguntaram eles.
Eu desesperei.
O que fui eu dizer? Então isto não é tipo ponho uma moeda / sai prémio?
a
a
Aiii, santa paciência... vai ser este o meu caso bicudo deste ano letivo? (todos os anos tenho um diferente na rifa....)

13 de Setembro, 2014

Adoro ser surpreendida.

Joana
Estava aqui a ver umas fotografias e vídeos antigos em que a personagem principal era o nosso grupo de amigos e dei de caras com alguns postais, vídeos e pequenas surpresas que, ao longo de quase 10 anos de amizade, fomos fazendo em conjunto para oferecer uns aos outros. Quase sempre estas foram iniciativas minhas e fico mesmo contente quando as encontro, por acaso, no meio de tantos outros registos, porque me lembro da reação das pessoas naqueles momentos específicos.
Entre a alegria e o saudosismo, lá surge um pequeno pensamento: concluo que, entre amigos, ao longo deste tempo, apenas fui surpreendida uma ou duas vezes, mas confesso que adorava ser muito mais. Adoro que me deixem sem palavras (para o bom, claro) e há gestos que valem mais do que tudo. Mas não sou muito bafejada com estas iniciativas, lá isso não. E às vezes saberia tão bem...

13 de Setembro, 2014

Adoro ser surpreendida.

Joana
Estava aqui a ver umas fotografias e vídeos antigos em que a personagem principal era o nosso grupo de amigos e dei de caras com alguns postais, vídeos e pequenas surpresas que, ao longo de quase 10 anos de amizade, fomos fazendo em conjunto para oferecer uns aos outros. Quase sempre estas foram iniciativas minhas e fico mesmo contente quando as encontro, por acaso, no meio de tantos outros registos, porque me lembro da reação das pessoas naqueles momentos específicos.
Entre a alegria e o saudosismo, lá surge um pequeno pensamento: concluo que, entre amigos, ao longo deste tempo, apenas fui surpreendida uma ou duas vezes, mas confesso que adorava ser muito mais. Adoro que me deixem sem palavras (para o bom, claro) e há gestos que valem mais do que tudo. Mas não sou muito bafejada com estas iniciativas, lá isso não. E às vezes saberia tão bem...

12 de Setembro, 2014

Epá, é o que dá haver cerca de 7387 programas de talentos.

Joana
Está bem que o norte, especificamente a Maia, é pródiga em talentos e aspirantes a talentos musicais. É também certo que foi daqui que saiu um finalista do Fator X (um dos miúdos daquele grupo fatela, X4U, por exemplo, mora mesmo aqui), outra do The Voice (a rapariguita loira finalista, de que desconheço o nome) e outro do Ídolos (desse nem o nome sei, muito menos me recordo da cara, de tão ídolo que se tornou). Mas isso não significa que eu tenha de estar a levar a tarde toda com uma rapariga, que deve ser candidata a um desses concursos, a "cantar" (tenho dúvidas quanto a este termo) diversas músicas, todas elas pirosas e previsíveis, com a janela aberta e ao microfone (devidamente ligado e no volume máximo). Pelo menos uma coisa já conseguiu - quase todas as pessoas já vieram às portas dos estabelecimentos ou às janelas das casas ver onde era o acidente.


(Agora está-me a "cantar" o "I will always love you", da Whitney. Nem queiram imaginar como estão a ser os falsetes. Vai-me afastar a clientela.
Eu devo ir para o Céu, a sério.)

12 de Setembro, 2014

Epá, é o que dá haver cerca de 7387 programas de talentos.

Joana
Está bem que o norte, especificamente a Maia, é pródiga em talentos e aspirantes a talentos musicais. É também certo que foi daqui que saiu um finalista do Fator X (um dos miúdos daquele grupo fatela, X4U, por exemplo, mora mesmo aqui), outra do The Voice (a rapariguita loira finalista, de que desconheço o nome) e outro do Ídolos (desse nem o nome sei, muito menos me recordo da cara, de tão ídolo que se tornou). Mas isso não significa que eu tenha de estar a levar a tarde toda com uma rapariga, que deve ser candidata a um desses concursos, a "cantar" (tenho dúvidas quanto a este termo) diversas músicas, todas elas pirosas e previsíveis, com a janela aberta e ao microfone (devidamente ligado e no volume máximo). Pelo menos uma coisa já conseguiu - quase todas as pessoas já vieram às portas dos estabelecimentos ou às janelas das casas ver onde era o acidente.


(Agora está-me a "cantar" o "I will always love you", da Whitney. Nem queiram imaginar como estão a ser os falsetes. Vai-me afastar a clientela.
Eu devo ir para o Céu, a sério.)