Mudei de opinião: afinal, não era "O Jardim" a justa canção vencedora.
Este será, provavelmente, o meu post mais contraditório dos últimos tempos.
Só os burros é que não mudam. Se até aqui eu era toda equipa Pascoal, no Festival da Canção, dei-me conta ontem de que, afinal, não deveria ter sido esse o rumo da vitória. O que me levou a mudar a minha opinião foi perceber que aquilo que entendi como espontâneo, emocional e puro na atuação da Claúdia, na 1ª semi-final, não passou de uma estratégia estudada. Ontem isto ficou bem claro, quando, ao ver a atuação da dupla Cláudia/Isaura, percebi que a cantora fazia exatamente os mesmos gestos nas mesmas partes da música e, pior que tudo, nas duas atuações - ainda na competição e já como vencedora - a última sílaba da última palavra da música foi "vivida" da mesma forma: a imitar uma emoção que toma conta da voz e que foi, de forma óbvia, bem estudada. Fiquei muito desiludida com a prestação da Cláudia e esperava muito mais. Penso que o erro terá sido assumir que toda aquela entrega era genuína. Foi aí que me precipitei.
Ontem, francamente, as músicas que me conquistaram foram a "Para sorrir, eu não preciso de nada" e a "Por ela". Confesso que se na 1ª final tinha apenas achado piada à primeira e não gostado particularmente da 2ª, ontem fiquei rendida às evidências. A Catarina Miranda é uma artista de mão cheia, já sabia, mas ontem revelou-se aos meus olhos como uma digna representante de Portugal numa Eurovisão ou num qualquer outro espetáculo internacional. Tem aquela estranheza que nos capta a atenção e junta-lhe uma doçura na voz e nas expressões que seria difícil de imaginar em mais alguém. Ontem foi particuarmente emotiva e conseguiu "puxar" as pessoas para um mundo que parecia só dela, feito de bolas de sabão e gomas. Sinceramente, adorei e pensei mesmo que ia ganhar aquilo tudo e deixar todos bem lá para trás. Fiquei, por isso, bastante triste que alguns júris nacionais possam ter atribuído 12 pontos ao Janeiro, por exemplo, ao invés de justamente darem a vitória à Catarina (bastava um ponto para isso).
Finalmente, ontem, ao contrário do que aconteceu da 1ª vez, em que nem consegui perceber metade do burburinho em torno da música "Por ela" - e em que não conseguia deixar de pensar no casaco bege do cantor, nem abstrair-me dos constantes tremeliques na voz -, dei por mim e ficar siderada na interpretação do Peu Madureira, que me "agarrou" e me comoveu, ao ponto de eu ficar de lágrimas nos olhos no fim da canção. Fiquei mesmo emocionada e acho que, se não é para levar à Eurovisão, vai com certeza ser levada nas minhas playlists e, acredito, muito na minha cabeça. A música é bonita, mas a letra e a interpretação arrebataram-me. Foi uma interpretação de tirar o fôlego, como há muito não via e ouvia. A guardar, mesmo.
Dito isto, dou aqui a mão à palmatória e admito que me precipitei na minha avaiação das músicas. Acho que escolhemos mal, apesar de continuar a gostar muito da canção vencedora, mas é o que temos e o que temos tem de valer para nos pôr nos lugares cimeiros da tabela europeia. Vamos a isto, minha gente?
(E vocês, estão satisfeitos com a vitória da Cláudia?)