E é por isto que eu acredito num mundo bom.
Na segunda feira à noite, quando ia a pagar por uma refeição, dei conta de que não tinha o meu cartão Multibanco. Não dei muita importância na altura (até porque agora, à noite, eu estou de rastos a partir das 20h e o meu raciocínio começa a bloquear a partir daí) e supus que o pudesse ter deixado em casa, numa arrumação mais apressada desde a última vez. A verdade é que passei todo o dia de ontem a procurar o cartão e a questionar-me onde raio o teria deixado, porque nem nos sítios prováveis, nem nos (muito) improváveis ele estava. Revi vezes sem conta o percurso que fiz desde a última vez que o tinha utilizado: numa ida ao talho, no sábado, quase perto das 19h. Fui, inclusivamente, ao próprio talho perguntar se não o teria lá deixado, mas nada. A verdade é que desde sábado até à manhã de terça - altura em que o comecei a procurar - muita coisa poderia ter acontecido. Comecei a desesperar e já estava quase a dar o caso como perdido.
Estranhamente - não sei explicar como, nem porquê - sentia-me ligeiramente descansada, pois estava convencida de que não o teria perdido numa loja ou na rua, mas que o deveria ter posto no sítio mais estapafúrdio da nossa casa, em concordância com o pregnant brain de que, efetivamente, padeço. A verdade é que o bicho não aparecia e eu já tinha consultado o nosso homebanking para ver se se mantinha intacto e já me tinha informado sobre contactos para tratar do cancelamento do dito cujo.
Tive, no entanto, uma ligeira epifania quando, esta última noite, num dos longos períodos durante a madrugada em que o feijão decidiu que a mãe não tinha de dormir, dei por mim a pensar que poderia alguém, no alto do seu bom senso e boa formação cívica, ter entregado o cartão na farmácia, que fica no caminho de saída do talho. Como já tinha ido às compras perto da hora de fecho e as farmácias habitualmente têm horários muito alargados, alguém o poderia ter encontrado e pensado em entregar lá. Hum... I gave it a shot.
E não é que sim - que estava mesmo lá? Já totalmente desacreditada, mas ainda assim motivada o suficiente para ir à farmácia perguntar, numa última tentativa, recebi a melhor notícia daquelas últimas 30 horas: o bichinho eletrónico estava lá. Alguém efetivamente tinha pensado e agido da forma mais correta possível.
E lá voltei eu a ter mais uma prova no lado bom da Humanidade. Não me venham com tretas de que ser otimista cria falsas expectativas e mostra pouca sensatez. Há muita gente boa por aí. O mundo tem muitos corações de ouro e se calhar deveríamos todos fazer um esforço para nos centrarmos nessas, e não nas que tanto estragam a perceção do lado bom da vida.
A quem me ajudou e teve este pequeno grande gesto, o meu mais sincero OBRIGADA! You made my day!
