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Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

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18 de Março, 2021

Esta semana tinha tudo para ser melhor.

Joana

Mas caramba, não está a ser.

O nosso filho celebrou o segundo aniversário da sua vida em confinamento. Com dois anos de vida, ainda não sabe o que é uma festa de anos num contexto normal.

 

As creches finalmente reabriram e a readaptação do nosso pequenino continua a ser difícil ao terceiro dia, como nunca foi - nem após o primeiro confinamento.

 

O trabalho intensificou muito esta semana. Uma coisa que poderia ser muito boa, tendo em conta os últimos tempos, mas que se tem revelado uma carga de problemas e uma busca fácil de conflitos de quem não tem muito que fazer e considera que os outros lhe devem sempre alguma coisa, nos quais me recuso a entrar.

 

Estou a perder todas as minhas forças e filtros para lidar com gente estúpida, injusta e, sobretudo, amarga. Receio pelo mal que ter estas coisas dentro de mim me provoca e pelo mau exemplo que me posso tornar aos olhos do meu filho, se eu estiver no sítio errado, à hora errada.

 

Decidi riscar do meu dicionário o termo "empatia" e percebi que faço sempre um "mental eyeroll" quando alguém o usa. Se há coisa que esta porcaria do confianamento nos fez, foi não termos empatia por ninguém. Já passámos da fase do "Estou cansado disto tudo!" / "Pois, é natural" para o "Estou cansado disto tudo!" / "Estamos todos, não te queixes.". Onde raio está aqui a empatia?

 

Passei a investir em ter conversas em tom de desabafo na mercearia da minha rua. A rapariga responsável é da minha idade, tem marido, um negócio e filhos com idades próximas do meu, entende-me, e não é fofoqueira. Faz-me bem e parece-me mais seguro do que o fazer com as cabeleireiras desta vida.

 

A astenia da Primavera atacou-me em força. Perdi ainda mais capacidade de concentração e, com isso ganhei muita frustração, lágrima fácil e muito mais sono, seja a que horas do dia ou noite for.

 

Percebi que não durmo uma noite inteira, sem interrupção noturna por um choro ou vários "Mamã" em loop do nosso filho há cerca de dois anos, menos umas duas ou três noites altamente excecionais.

 

Comecei a aceitar pacificamente que ir dormir se tornou num dos momentos mais ansiados do meu dia. Nem que seja à uma da tarde.

 

Cheguei à conclusão que não abraço ou beijo os meus pais há quase 8 meses. Se isto é mau, pior é pensar que há oito meses que não estão fisicamente com o neto. Não há tecnologias que vençam esta dor.

 

 

 

Enfim. Tentemos lá avançar devagarinho.

 

 

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