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Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

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17
Mar18

Eu não dou gorjetas. Chocados?

Joana

Não é por ser forreta ou "agarrada". É por uma questão de princípio. Eu não dou gorjetas a ninguém, em nenhuma situação. Não gosto do conceito, que, lá bem no meu íntimo, me parece roçar a linha do "coitadinho" e da piedade. Sou pessoa de arredondar uma conta, se achar que devo recompensar alguém por estar a ser prejudicado, mas muito raramente. Quando dou é porque quero dar e faço-o, sem necessitar de o associar a um pagamento obrigatório de algum produto ou serviço de que tenha usufruído. Sou mesmo daquele tipo de pessoa que fica sempre à espera que lhe deem o cêntimo de troco quando vai comprar pão ou que se baixa para apanhar um ou dois cêntimos perdidos no passeio, com a mesma atitude se se tratasse de uma moeda de dois euros ou de uma nota de vinte.

Acho que isto não faz de mim uma pessoa pior e associo esta minha forma de estar ao facto de sempre ter tido uma noção grande de poupança. Lembro-me inclusivamente que, quando fiz dezoito anos, levei duas sacas pesadíssimas com as minhas poupanças - religiosamente recolhidas e guardadas no mealheiro - ao Montepio Geral para serem depositadas. Escusado será dizer que tinha cerca de quinze contos (o mesmo que dizer trinta euros, rapaziada mais nova!) em moedas de 1, 2 e 5 escudos. Ainda hoje se devem lembrar de mim.

 

Não gosto de dar gorjetas, porque entendo que ninguém tem de receber mais do que aquilo que acordou quando assinou o seu contrato de trabalho. Foi uma aceitação livre e, da mesma forma que critico as pessoas que levam presuntos para dar aos médicos, também não alinho nestas compensações a quem quer que seja. Lembro-me de em miúda ser muito crítica, sempre que a minha mãe ia pôr uma moedinha no bolso da bata da cabeleireira, quando ia ao salão. Questionava-a sempre do porquê de fazer aquilo, se as pessoas já recebiam o seu salário. Isto faz-me crer que a não concordância com as gorjetas não seja parvoíce minha, mas uma questão de princípio, que não deve estar muito errado. Mesmo eu não gosto de receber alguma gorjeta pelos serviços que presto, confesso.

 

O J., de início, era pessoa de dar gorjetas. Eu não me opunha, naturalmente - era uma escolha sua. Mas, com o tempo, foi percebendo que eu nunca dava gorjetas, nem tão pouco me sentia mal com isso. Como ele sabia que eu era - e sou - uma pessoa muito sensível a várias causas, estranhava a atitude, até, aos poucos, ter chegado à conclusão de que havia aqui alguma lógica. Numa vez em que foi a Itália em trabalho, percebeu que a gorjeta é, para aquela cultura, uma obrigatoriedade e que, inclusivamente, é parte integrante do recibo. Acho que, aos poucos, começou a dar-me razão e a ir desistindo deste hábito.

 

A verdade é que o coração do J. é, sem qualquer dúvida, feito de manteiga e, para que ele possa dormir de consciência tranquila (e porque eu estou em paz com a minha forma de estar em relação às gorjetas), sempre que pedimos alguma pizza ou recebemos a entrega das compras em casa sou eu que, genericamente, trato da parte do pagamento, porque o faço com a naturalidade expectável e consigo despedir-me das pessoas sem qualquer peso na consciência por não lhes ter dado alguma moeda por baixo da mesa. Vivo muito bem com isso e nem por dois segundos me questiono se deveria ter agido de outra forma. Compreendo quem sente a necessidade de dar essa compensação, num gesto de simpatia e generosidade. Eu cá entendo que a simpatia e a generosidade podem transparecer de outras formas, por isso não dou gorjetas. Mas continuo a ser boa gente, hein?

 

 

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