Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

25
Fev19

Monday mood.

Joana

Pronto, só para começarem bem esta segunda feira, partilho convosco o momento mais trengo da última semana aqui da vossa cara amiga.

 

Ora pois que tive de ir a cerca de quatro lojas dentro de um Centro Comercial. Nada de especial e foco no objetivo de entrar, procurar somente o que interessava, comprar e sair. Mas havia ali um twistzinho recorrente: sempre que entrava estava tudo tranquilo, sempre que saía, o alarme da loja tocava de uma forma estridente. Fui "revistada" quatro vezes e das quatro vezes fiquei vermelha como um perú. Não que receasse alguma coisa, não que tivesse motivos para me sentir mal, mas porque começava a haver ali um padrão que me estava a chatear. Pior era que os alarmes só tocavam à saída e nunca à entrada das lojas. Ainda para mais, as quatro lojas eram praticamente pegadas umas às outras, pelo que quem estivesse por ali sentado, estaria a ver em mim uma ladra em potência.

 

Findas as quatro tentativas, resolvi desistir e pisgar-me daquele sítio, não fosse ainda ter algum problema ou ser acusada injustamente de alguma coisa que não teria feito. Estava cansada e já aborrecida com a coisa. Não bastasse, estava cheia de fome e com picos de calor, que nem sabia se tinham a ver com a hora, com a roupa que trazia vestida, com a gravidez ou com nada disto.

 

Cheguei a casa, farta desta jornada, e fui à casa de banho. Eis senão quando olhei para o interior das minhas calças e vi uma BRUTA etiqueta cosida no interior, com uma espécie de cartão rígido lá dentro. Pois, exato, era um alarme. Não sei de que espécie de alarme se tratava, porque só reagia à saída das lojas, e nunca à entrada, mas estava de tal forma disfarçado, que parecia mesmo daquelas etiquetas cosidas, que ninguém (penso!) descose quando resolve usar uma peça de roupa. Pormenor: não era a primeira vez que andava com aquelas calças, nem a primeira vez que resolvi ir a lojas tratar das centenas de coisas que tenho a tratar, quase todos os dias, por causa da maternidade, com aquelas calças. Pronto, resolveram gozar comigo naquele dia as pantalonezinhas palhaças. Enfim. Coisas que só me acontecem a mim, creio.

 

E pronto, foi assim que aconteceu um belo dia da semana passada num Centro Comercial da minha zona. Se se lembram de ter ouvido quatro alarmes a tocar de seguida em quatro lojas diferentes... era eu!

 

 

 

E assim vos deixo nesta bela segunda feira cheia de sol.

Se vos der para isso, riam-se de mim à vontade. Estou aqui para vos servir.

 

 

05
Mai18

Pinóquios? Só nas histórias para crianças.

Joana

Lido mal com a mentira. E sou perigosa, porque tenho um sexto sentido que a deteta com bastante facilidade e raramente se engana, para além de ter boa memória. Se a descubro, não sou pessoa de ter meias medidas e, por mais sensata que me considere, não a permito de todo e corto o mal pela raíz.

 

Nos últimos dias, tive uma situação profissional que intensifcou as dúvidas que tinha sobre um colaborador. Como acredito que a vida, por si só, tem as suas próprias receitas e nos traz as coisas naturalmente, resolvi deixar passar algum tempo, para ver se algo viria ao de cima. E tem vindo, de facto. Ao ponto de eu estar com uma quase certeza de que houve uma questão de saúde grave inventada, para justificar uma falha. Se assim for e eu, efetivamente, descobrir uma "verdade" diferente da que me foi dada, vai ser muito difícil travar uma decisão que já paira na minha mente há algum tempo. O que me frustra no meio disto tudo é que eu sou muito preocupada com as minhas pessoas - tanto no âmbito pessoal, como no profissional - e estou sempre a cuidar delas e a zelar para que, dentro do que eu posso fazer, elas tenham sempre as melhores condições e se sintam bem e motivadas. Uma mentira no meio disto tudo é uma facada e abre uma ferida que não consigo sarar - em termos de quebra de confiança e em questão de princípios.

 

Lido mal com a mentira, como vos disse. Acho que não nos leva a lado nenhum e ensombra tudo e todos os que envolve. Fico muito magoada por perceber que o melhor que dou aos outros é retribuído desta forma - em desculpas vãs pousadas em chãos de barro. No que me disser respeito e tendo esse poder, não permitirei que ela faça parte da minha história. Pessoal e profissional. Com tudo o que isso implica.

 

 

 

 

19
Abr18

Onde é que as pessoas normais arranjam tempo?

Joana

De certeza que há uma fonte, onde a grande maioria das pessoas que conheço vai buscar tempo. É impossível que seja de outro modo.

 

Ouço permanentemente as pessoas que me rodeiam a falar das séries da Netflix que andam a ver, dos vinte episódios de um programa que viram de enfiada, dos passeios que fizeram a aproveitar estes dias de sol e calor, das idas aos parques com as suas crianças, das tardes de compras no comércio tradicional das grandes cidades e afins e eu só penso que devo mesmo estar a fazer alguma coisa mal, porque, não tendo ainda filhos, não tenho tempo para NADA! Como é possível? Eu trabalho cerca de 12h por dia, ando sempre a correr de um lado para o outro, não faço praticamente pausas para nada, a ida a casa no intervalo de almoço serve para fazer camas, estender roupa saída da máquina para aproveitar as poucas horas de sol e algum calor, dobrar roupa que já secou, fazer telefonemas, ir pôr o lixo na reciclagem ou, na loucura, ainda passar pelo talho e pela frutaria para repor os stocks de casa, porque, saindo às 20h30, não há grandes hipóteses alternativas. O J., por seu lado, está a trabalhar de sol a sol, com formações e tudo o mais que a empresa decidiu inventar para esta fase do ano. Chego ao fim do dia exausta, sem fôlego ou coragem para nada, com um olhar de zombie e a arrastar as poucas palavras que ainda ouso pronunciar. O J. idem aspas. Enquanto isto, esta miudagem toda das redes chega-me ao fim do dia cheia de pica e na melhor das disposições para ver, de seguida, umas boas horas de filmes e séries? Como é possível? Expliquem-me, por favor. Eu devo estar a fazer alguma coisa mal, só posso.

 

 

27
Mar18

Os meus dias são maiores do que os teus?

Joana

A hora mudou. Dormimos menos uma hora, mas ganhámos mais uma hora de sol. As pessoas gostam, genericamente, desta mudança, mas ainda assim vão resmungando. Como eu sou uma pessoa, também vou resmungando. Só que de forma diferente.

 

Anda meio Portugal a queixar-se de que os dias passam muito depressa e eu... a queixar-me que os dias estão enormes e parece que nunca acabam! Pelo facto de haver claridade até mais tarde, tenho a sensação que os dias tardam muito a terminar, o que, para o meu sistema, significa algo muito semelhante a "ainda há muito para fazer, menina Joana, nada de pensar em começar a abrandar". Por isso, sinto que trabalho mais e me canso mais. Apesar de adorar a hora de verão. Raio de coisa!

 

 

Ser eu não é fácil.

 

Eu digo-o.

Vocês di-lo-ão também.

 

 

08
Mar18

Vocês não gostam do inverno. A sério que não. Vão por mim.

Joana

Eu fui talhada para o calor [podia ser para o amor, mas é o que está a sair hoje] e dou-me mal com o frio. Aliás, eu detesto o frio, ponto. As temperaturas baixas mexem comigo, toldam-me o raciocínio, limitam-me a minha capacidade de trabalhar, para além de me darem um desconforto tal, que não consigo estar muito tempo parada no mesmo sítio. Tendo em conta que tenho uma empresa a meu cargo, que me exige estar sentada longas horas por dia em frente a um computador, a livros, arquivos e o que mais houver, sou geralmente atacada pelo frio de uma forma quase natural, mesmo estando coberta com sete camadas de roupa e tendo um aquecedor a um metro de mim. É quase como se ele procurasse por mim e não desistisse enquanto não me encontrasse.

 

Para o J., a coisa chega a ser cómica. Nos dias de maior frio, quando chego a casa, ponho tanta camada de roupa, que pareço ter outra Joana gémea colada a mim. As minhas formas desaparecem e dão lugar a um retângulo andante de roupa. Só não ponho um gorro em casa, porque já me parece excessivo. E acreditem que a nossa casa nem é fria. Já ele, muda a roupa, veste uma camisola de pijama e um casaquito e está tudo bem. As minhas mãos estão sempre geladas (ao estilo da Elsa, do Frozen), as dele andam entre o morno e o quente. Eu perco metade da minha pesonalidade com temperaturas abaixo de 15º, ele desespera com temperaturas um pouco acima disso. Mas pronto, entendemo-nos. Com um nível inferior de sensualidade da minha parte, mas ainda assim.

 

É impensável para mim passar um inverno sem lençóis térmicos ou sair de casa sem gorros, cachecóis, luvas ou dois pares de meias, mesmo neste país de clima temperado. E mesmo assim, estou sempre com os pés e as mãos geladas, o que confirma a minha tese de ter, no meu ADN, qualquer coisa de peixe. E não me venham com a treta de que me falta comer alimentos nutritivos, porque a altura do dia em que tenho mais frio é sempre depois de terminar o almoço. Ou seja, não há cá teorias que expliquem isto. Sou friorenta - muito! - e tenho de aprender a viver com isso. E com o facto de viver num país que tem temperaturas amenas e, eu mesmo assim, achar excessivamente baixas para os meus níveis de tolerância.

 

Dito isto, no meu ideal de férias NUNCA, em tempo algum, coube aquela imagem idílica de um chalé no meio de uma serra coberta de neve e canecas de chocolate quente entre as mãos. Aliás, acho uma piada ao contrasenso da coisa. As pessoas, às vezes, dizem que adoram o inverno quando estão quentinhas, no sofá, com uma manta, em frente a uma lareira, a beber um chá e a comer umas bolachinhas acabadas de sair do forno, enquanto veem chover lá fora. Portanto, o que as pessoas gostam no inverno é do... calor? Parece que sim. Por isso, minha gente, não seria melhor dizermos todos que gostamos do mesmo e evitamos, assim, discussões sobre o sexo dos anjos? Porque ninguém gosta de frio, mas do calor depois do frio. E, sim, aí estamos de acordo: quem me tira a minha amada mantinha elétrica da cama (a la velhinha) no inverno, tira-me anos de vida. Lá está, o calor depois do frio. Faço-me entender?

 

Vamos então mas é esperar que as temperaturas ultrapassem a barreira psicológica dos 20º dentro em breve (embora, para mim, possa ser acima dos 25º, à vontadinha). Eu já não aguento mais um mês deste frio, a sério que não.

 

 

 

30
Out17

A mudança da hora e eu.

Joana

Desde que me lembro, esta mudança de hora de verão para a de inverno sempre me causou, à semelhança de 99% das pessoas que conheço, desânimo. Para além de marcar oficialmente a entrada no inverno, torna tudo um bocadinho mais deprimente e confuso. Sempre que há este ajuste, lembro-me invariavelmente dos tempos de escola, em que pensava sempre que iria chegar fora de horas marcadas para aulas e testes, porque tinha sempre a ideia de que haveria quem não tivesse acertado o relógio ou nem se lembrasse de que as horas tinham mudado, o que afetaria, claro estava, marcações de avaliações e horas de entrada nas aulas. Isto passava-me assim que entrava pelos grandes portões verdes da minha antiga escola, mas até lá chegar, ia sempre num misto de expectativa e desânimo em relação à mudança e à capacidade das pessoas se ajustarem a ela. E então quando tinha teste logo às oito e meia da manhã de segunda feira, é que a dúvida me passava de imediato.

Enfim, não poderia ter sido diferente.

Joana - a complicar desde finais da década de 80.