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Verde Vermelho

Podia ser um blog sobre Portugal. Podia ser um blog sobre mim. Podia ser um blog sobre coisas boas e más. Podia ser um blog humorístico. Podia ser um blog a tentar ser humorístico. Podia ser um blog sobre qualquer coisa. Pois podia.

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25
Out18

E quando o "bullying" entre as crianças começa nos pais?

Joana

Há muito a ideia de que, nos nossos dias, a violência entre crianças é muito maior do que há umas duas ou três décadas. Não concordo. As coisas continuam a acontecer com bastante intensidade, mas a forma de as fazer é que mudou. Ouvimos falar muito das redes sociais e da forma como elas podem mesmo servir de caminho privilegiado para ataques pela calada entre crianças e jovens. Tudo verdade. Mas e se esta violência psicológica que cresce nas redes começa nos pais?

 

Há muitos anos que trabalho em educação e ontem tomei conhecimento de uma história verídica, que superou tudo o que ouvi até hoje. Não queria acreditar no que estava a ouvir e presenciar e fiquei mesmo desiludida com o rumo que as coisas estão a tomar. Resumidamente, tenho uma aluna que é excelente em quase tudo - notas e personalidade. Por ser muito sorridente, simpática e sociável, tem quase toda a turma do seu lado, que a vê como uma líder nata. Apesar de nesse cenário haver duas alunas, não familiares entre si, que rivalizam com esta colega em termos de notas e protagonismo, ela não se deixa afetar e até as tenta integrar na turma e na convivência entre colegas. Mas a verdade é que as miúdas não querem essa aproximação e não aceitam ser superadas pela minha aluna, que nada se vangloria das suas capacidades e conquistas, mas que as tem, de facto. Isto seria normal, tendo em conta as idades das miúdas. Mas os contornos que a história ganhou entretanto ultrapassaram qualquer parvoeira adolescente. Aparentemente, as raparigas entraram num espírito de vitimização e foram falar com os seus pais, que assumiram de imediato a sua verdade como a única e que, através do perfil de Instagram das filhas, "bisbilhotaram" as publicações e Instastories da miúda que queriam derrubar, tiraram printscreens totalmente descontextualizados (do género, a minha aluna ter tirado uma fotografia com umas das miúdas e escrito - "Esta anã está quase a fazer anos! Yeeei! Parabéns!!!!" e os pais terem tirado o "Yeeei! Parabéns!!!", alegando que a rapariga estava a gozar publicamente com as filhas) e tendo levado ao Diretor da Escola um conjunto de folhas imprimidas com fotografias que, a seu bel-prazer, criaram a ilusão de uma história de complô contra as miúdas. Em resultado disto - e acreditem que o que se segue conseguiu ser ainda mais estapafúrdio para mim - a Direção resolveu convocar uma reunião de emergência com os pais das três alunas envolvidas, tendo ficado claro que, para ela, a culpa era da minha aluna e que as duas outras raparigas - quais mártires - estavam cobertas de razão. Agora, aparentemente, a miúda apontada como a culpada vai ser sancionada e, como imaginam, está num pranto e desânimo tais, que a sua autoestima ficou de rastos e não quer voltar à Escola, quando está em plena fase de testes. Quanto aos pais da minha aluna, estão decididos a fazer uma queixa oficial a quem de direito e a tirar a filha daquela instituição de ensino o mais rapidamente possível, sob pena de destruir a tão boa personalidade e caráter da miúda e poder contribuir para criar um pequeno monstro de insegurança dentro dela, que nunca mais lhe permita ser o que era - em estudos e na vida.

 

Esta história é, para mim, das que mais me chocou desde sempre. Como é possível que haja pais que se dedicam à missão de cegamente destruir a vida de uma criança, apenas para dar espaço a caprichos de pirralhas adolescentes, que ainda para mais são suas filhas? O que lhes estão e ensinar? Que caráteres estão a formar? Que valores lhes estão a transmitir? E que caráter é o seu para serem exemplos?

 

E mais: como é possível que a Direção de uma Escola ouça apenas os pais e nem se tenha dedicado a ouvir os outros elementos da turma, que confirmariam o bom caráter da minha aluna, sempre apaziguadora e amiga de todos e, ao invés, apenas ouçam e deem um parecer positivo a uma insinuação grave, adulterada e infundada? Como é possível que nem sequer se detenham a perceber por que motivo toda a turma rejeita essas duas alunas, por serem experts em virar as histórias a seu favor? Como é possível tudo isto?

 

Confesso que hoje acordei "doente" com esta história. Só me apetece pegar na minha aluna e levá-la para um novo ambiente, onde se sinta de novo valorizada. Acredito que os pais devam estar a pensar fazer o mesmo. É certo que tudo isto são ensinamentos de vida e que é preciso "bater" com a cabeça para aprender, mas esta história é mesmo muito retorcida e deve ser denunciada. Mas sobretudo, é uma vergonha imensa haver pais assim, que nunca o deveriam ser e que são os piores exemplos possíveis para qualquer ser humano em formação. A minha repulsa é tanta, que nem tenho adjetivos para os descrever, acreditem. Mas a crítica estende-se - e muito! - à ridícula Direção desta Escola, aparentemente de âmbito católico, que envergonha um país.

 

É isto que temos, por cá. Depois admiram-se que eu não me reveja na minha classe profissional e que aponte demasiado o dedo a certos preceitos religiosos, mesmo sendo católica. Ou eu estou muito à frente, ou eles estão muito atrás. Alguma destas há de ser.

 

 

 

02
Jul18

Portugal saiu da Rússia...

Joana

... e eu não estou particularmente triste com isso. [E olhem que eu sou daquelas que sofre, grita, chora e afins.] Fomos muito bons, jogámos muito bem frente ao Uruguai e temos que nos orgulhar do que fizemos e do que conseguimos mostrar. Não é, no fundo, grande derrota e estou muito satisfeita com o que conseguimos criar nestes anos. Isto é só o princípio.

Bravo, Portugal!

 

 

12
Mai18

A Eurovisão em Portugal.

Joana

Ter o Festival da Canção em Portugal é único e, provavelmente, irrepetível nos anos de vida que me restam. Até agora, tudo - à exceção de comentários mais desadequados nas redes - me tem enchido de orgulho em relação à Eurovisão. Considero que estamos a fazer uma ótima figura e tudo me parece excecionalmente bem feito, preparado, produzido, realizado e apresentado. Estamos a mostrar-nos ao mundo de uma forma que me orgulha muito, confesso.

 

Sou uma fã da Eurovisão desde sempre, como sabem. Adoro tudo o que ela envolve, mas acho que são sobretudo as memórias da minha meninice que me adoçam o entusiasmo por este espetáculo. Não me importa minimamente que seja exagerado, piroso, bom ou mau - para mim é sempre único e merecedor da minha atenção e entusiasmo.

 

Nesta quase impossível missão de superar anos anteriores de Eurovisão, Portugal está a sair-se magnificamente bem, a meu ver. Os espetáculos têm sido merecedores das melhores críticas nacionais e internacionais e é só espreitar a emissão ao vivo para perceber a dimensão e a qualidade do que conseguimos fazer. O último Prós e Contras debruçou-se sobre este espetáculo e foi ótimo perceber que quase tudo o que foi feito no âmbito da Eurovisão em Portugal foi contratado a empresas nacionais. Fora isto, é só ver a emissão e perceber o quão bons estamos a ser a o quão bem estamos a fazer. Num misto de sobriedade e espetáculo, acho mesmo que estamos a brilhar - e nunca apostei muito que o conseguíssemos desta forma, reconheço. Estou impressionada e muito orgulhosa!

 

 

E para quem me critica a fanatice, só tenho a dizer que este espetáculo é muito mais abrangente que o Euro 2004 ou a Expo'98, que tão bem organizámos. É a imagem de Portugal no Mundo. E entusiasma-me tanto ou mais que qualquer outro no passado. Acredito mesmo que esta imagem ficará marcada em muitas pessoas de muitos lados deste nosso pequeno planeta. E fico muito feliz com isso.

 

Bravo, Portugal!

 

12
Mar17

Sim, sim, ainda sobre Portugal no Mundo.

Joana

Fogo, a ser verdade, é incrível!

 

(E a sério que isto está talhado para ganhar?! Pfff..)

 

 

"Pronto, não é mazinha de todo, Joana. O tipo também é estranho e a música fica na cabeça e transpira Festival da Eurovisão" diz-me a minha parte racional. Sim, mas mesmo assim. Go, Portugal! Podemos mesmo ser o black horse que chega lá de mansinho e ganha aquilo tudo!

 

 

01
Jul16

Hoje, não resisto.

Joana

Fiquei super contente com a vitória de Portugal! Não temos a melhor equipa da Europa, bem sabemos, nem tão pouco uma como a de 2004, mas, caramba, é difícil não vibrar com isto. Ontem, por imperativos de saúde, não pude gritar nem mostrar muito entusiasmo, sob pena de voltar, de novo, aos medicamentos e ao repouso absoluto. Mas sofri muito. E, no final, fiquei MUITO feliz! 

Para já, deixo a música oficial do Euro 2016 . Já não a consigo ouvir sem ficar com batimentos cardíacos acelerados! Deve ser por estarmos a dois jogos de sermos campeões! ;) Veremos.

 

 

 

Vamos lá cantar em coro:

 

We're in this together
Hear our hearts beat together
We stand strong together
We're in this forever


23
Fev16

Hoje fui a uma entrevista de emprego. Mais valia não ter ido.

Joana

Mais especificamente, na área da Educação. E concluí que este país vai ter, daqui a uns 10 anos, uma camada da sociedade constituída por uma geração formada à pressa - ainda me questiono com pressa de quê, mas enfim... -, sem valores importantes incutidos, sem noções de responsabilidade, respeito e gratidão, sem condutas morais corretas e com muito pouca consideração pelo próximo. A culpa não é dos que hoje são jovens; é, sim, de quem tudo lhes permite e lhes oferece "de bandeja" e ainda lhes paga para se formarem em tempo recorde. Fiquei parva com o que vi e ouvi. São os próprios responsáveis das instituições de ensino que nos pedem a nós, professores, que, aceitando a proposta que nos está a ser feita no momento, tenhamos consciência de que não estamos ali para ensinar, mas apenas para "enganar", o que, traduzido, significa algo como "domar feras", que mais não são do que uns quantos gatinhos armados ao pingarelho, a quem faltou algum amor e muitas regras. Obviamente, recusei. Nem que a contrapartida fosse a melhor do mundo, sei que nunca, em tempo algum, conseguiria levar um "projeto" (??) destes avante. Já para não falar que os professores são "carne para canhão", nestes contextos.

É demasiado mau em todos os aspetos e envergonha-me, enquanto professora e enquanto ser humano. Sinto-me revoltada com este país e com o rumo que as coisas levam.

Se as pessoas soubessem apenas metade do que se passa nestes meandros....

 

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